Medida pode derrubar o governo, mas partido de ultradireita não reúne votos suficientes sem o apoio dos socialistas

O Parlamento de Portugal deve votar nesta terça-feira uma moção de censura apresentada pelo Chega. A aprovação da medida derrubaria o governo de centro-direita da Aliança Democrática, mas o partido de ultradireita não tem votos suficientes sem o apoio do Partido Socialista.
O governo e outros partidos de oposição criticaram a iniciativa e acusaram o Chega de promover uma manobra política. O PS, de centro-esquerda, indica que prefere preservar a estabilidade e evitar eleições antecipadas, apesar das crises políticas e administrativas enfrentadas pelo Executivo.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, classificou a moção como uma encenação, mas afirmou que o governo não descarta novas votações conjuntas com o Chega, como ocorreu no pacote anti-imigração.
A medida foi apresentada em meio às cobranças sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves. Ex-diretor da Polícia Judiciária, ele deverá prestar esclarecimentos aos deputados antes da votação e é alvo de três inquéritos na Procuradoria da República, um processo no Tribunal de Contas e outro de natureza administrativa.
Entre os episódios sob apuração estão a movimentação de substâncias químicas apreendidas para uma construtora de um amigo e o uso, por Neves, de um carro que pertenceu a um traficante e estava sob custódia da Polícia Judiciária. Segundo o ministro, o material químico seria destruído no local porque a polícia não dispunha dos cerca de 150 mil euros necessários à operação.
Fonte original completa: O Globo — Portugal Giro



