Juíza aponta possível ataque à integridade territorial; governo diz não haver prova conclusiva de responsabilidade do Marrocos

A Audiência Nacional da Espanha determinou a abertura de uma investigação criminal sobre a chegada de dezenas de milhares de migrantes a Ceuta em julho. A juíza María Tardón afirmou haver indícios de que condutas supostamente praticadas fora do país teriam afetado gravemente a integridade territorial espanhola por meio da entrada em massa.
A apuração deverá examinar possíveis crimes contra a integridade territorial, homicídio culposo e organização criminosa. Na decisão, Tardón descreveu o fluxo migratório como um método associado à chamada “guerra híbrida” ou “zona cinzenta”, com impacto sobre a vida e os direitos dos moradores do enclave espanhol.
Um relatório policial espanhol, que apontou permissividade das forças de segurança marroquinas, embasou a abertura do caso. Segundo a juíza, agentes do Marrocos não teriam feito uma tentativa efetiva de conter o movimento e, em algumas situações, teriam orientado pessoas sobre a travessia.
O governo espanhol declarou que não há evidência conclusiva de que Rabat tenha sido responsável pela entrada de mais de 70 mil migrantes no fim de julho. Autoridades marroquinas não comentaram o relatório, enquanto veículos do país questionaram a falta de provas materiais. A maioria dos migrantes foi devolvida, mas milhares permaneceram em Ceuta.
Fonte original: https://www.euronews.com/my-europe/2026/09/07/spain-launches-criminal-investigation-into-ceuta-migrant-influx


